Bate Motel
Bates Motel não é uma série extraordinária, mas pinta em tons coloridos o legado deixado pelo clássico de Alfred Hitchcock. Norma Bates e os seus dois filhos, Norman e Dylan, têm passado por um mau bocado e está na altura de apaziguar um pouco as emoções fortes. Norman não quer voltar para a escola e Norma descobre que a sua mãe faleceu. Dylan não aceita o seu pai, dado que foi fruto de uma relação de incesto.

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Estas são algumas das linhas da narrativa deste regresso. Um regresso que mantém vivo o espírito hitchcockiano, com interpretações fulgurantes da dupla protagonista e um enredo simples e envolvente. Vera Farmiga foi uma escolha interessante para a liderança, dado que as suas características físicas assentam na perfeição no fetiche de Hitchcock, e o seu talento como atriz adopta os registos maternais necessários para a personagem. Freddie Highmore também “cai bem na sopa”, uma vez que o seu olhar baço e sem vida transmite a insegurança típica de um jovem perturbado com tendências homicidas. Sendo que não podem avançar demasiado com a linha da narrativa, dando aos seus fãs algum tempo para chegar ao clímax narrativo de Psycho, a equipa de Bates Motel procura adornar a trama com pequenas histórias que exploram as características únicas que definem as suas personagens principais.

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Norman ainda dorme na cama com a mãe, o que Dylan acha estranho e pouco convencional. O próprio tenta lançar-se numa nova etapa da vida, mas parece que as suas origens continuam a empatar o seu avanço. O xerife Romero também passa por um mau bocado, ao terminar com um negócio ilícito que durante 40 anos foi o pote de ouro da sua cidade. Os impulsos de Norman estão a piorar, assim que uma atraente call girl chega para reservar um quarto no motel e a saúde de Emma também não teve melhorias. Estes pequenos desvios do rumo principal funcionam razoavelmente para o espectador conseguir digerir os acontecimentos das temporadas anteriores, ainda que se sinta falta de momentos com suspense.

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A constução de Norman Bates como um psicopata esquizofrénico é exímia e, aos poucos, vamos começando a nutrir um receio e ansiedade pelo que irá acontecer em breve. Embora não tenha sido um regresso soberbo, Bates Motel é consistente e tenta criar linhas narrativas que não pareçam forçadas. A dupla protagonista é inexplicavelmente carismática e, mesmo que já não aceitem reservas no motel, pelo menos reservam-nos uma boa e interessante temporada.

 

Texto por: JORGE LESTRE