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A terceira temporada do justiceiro de Starling City chegou ao fim. Oliver Queen transformou-se naquilo que sempre receou tornar-se, num vilão. Com a morte de Sara Lance, Oliver e a equipa descobrem que Malcolm Merlyn (sim, ele vive!) é o verdadeiro assassino de Black Canary e que a Liga de Assassinos, liderada por Ra’s Al Ghul, chega à cidade lançando o caos nas ruas. Oliver decide enfrentar aquele que poderá ser o mais temível mercenário da Terra. Nisto, ele precisa de aproximar-se do mesmo e tornar-se seu discípulo.

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Arrow é uma série muito sobrevalorizada; é um exercício que, ao contrário de outras séries com a mesma temática, procura depositar todas as soluções e resultados no seu protagonista, ofuscando as restantes personagens que funcionam como meros adornos à narrativa principal. Oliver Queen é o “centro das atenções” e a sua conduta vai oscilando entre o adolescente e o adulto à medida que se avança com a linha da história. Mesmo a nível de tecnicidade, Arrow é um fracasso colossal, especialmente no que toca a captar a essência dos estupendos quadradinhos da DC Comics (The Flash é superior em todos os níveis); o registo típico desta fórmula (falando dos super-heróis) é assombrado pela ausência de elementos como sangue, realismo e violência mas que, por outro lado, são substituídos por diálogos moralistas e enredos megalómanos que desafiam a própria credibilidade da série. A equipa de guionistas tem procurado apostar no entretenimento sem pensar no próprio rumo que a história segue, despejando um arraial de personagens desprovidas de sentido ou interesse, já para não falar que ainda é demasiado cedo para misturar os universos do medíocre Arrow com o do magnífico Batman.

Arrow

Em 2012, Christopher Nolan deu por terminada a sua trilogia do Cavaleiro das Trevas e fê-lo através da sua experiência como cineasta, dando ao público aquilo que é o mais fiel e mais genial retrato do herói mascarado até à data. Não temos, portanto Liam Neeson a voltar a ser Ra’s Al Ghul (mas correram rumores de que o mesmo estaria interessado em regressar ao papel) mas temos Matt Nable. O Ra’s Al Ghul de Neeson é, por demais, maravilhoso em que a sua curta presença determina o seu caráter astuto e calculista, ao contrário do de Matt Nable que é apenas um vilão que usa a força para alcançar os seus fins. Mesmo quando tenta ser “inteligente”, o novo Ra’s é, em bom português, um “jovem que tem a mania”. A infantilização dos vilões em “Arrow” acaba por se tornar uma dor-de-cabeça para quem realmente quer ver uma boa adaptação de bandas-desenhadas. E, para piorar as coisas, o drama adolescente focado na figura que Oliver Queen representa como galã ainda torna a narrativa mais aborrecida e insignificante.

Sara_Lance

É certo que Stephen Amell está apenas a vender os seus atributos físicos para a personagem, mas os estúdios parecem querer incutir novas personagens apenas para forçar novos “spinoffs”, tornando-as baças e de curta apreciação. O facto de haver demasiadas personagens principais acaba por atrasar o constante desenvolvimento da história e, mesmo que a equipa tenha reconhecido a falha, parecem ter metido ainda mais a “pata na poça”. Apesar de todas as suas fraquezas,”Arrow” consegue entreter, jogando com o marketing da sua campanha publicitária e com a leveza de argumento mas, mesmo assim, precisa de percorrer um longo caminho se quer realmente deixar a sua marca na História da Televisão. A série, como já era previsto, foi renovada e muitas novas aventuras esperam por Oliver Queen e companhia (que estão apenas lá para ajudá-lo a sair dos seus dilemas morais).

 

Texto escrito por: Jorge Lestre