Quando o pacífico reino de Azeroth é invadido por uma raça de Orcs, em fuga do seu mundo moribundo, através de um portal inter-dimensional, dois exércitos entram em pé de guerra.

Um luta para evitar a sua destruição, o outro a extinção. De ambos os lados emergem dois heróis numa rota de colisão onde será decidido o destino dos seus povos e das suas famílias.

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“Eu nunca joguei “World of Warcraft” por isso fui ver este filme sem expectativas, senão a de ser entretido. O resultado final é, no mínimo, confuso.”

Um dos maiores problemas que este filme tem, é não familiarizar o público sobre o mundo que nos está a apresentar nem sobre quem é quem. Como se tivéssemos chegado vinte minutos atrasados, perdendo assim parte da história. Possivelmente os fãs do jogo não terão este tipo de problema mas será difícil para um público geral investir-se emocionalmente. E apesar das influências dos mundos de “Lord of the Rings”, da lenda do Rei Artur e mesmo “Stargate” serem facilmente identificáveis, nem sempre resultam de forma positiva e por vezes são quase cartoonescas.

Warcraft-2Os efeitos especiais, os cenários e as criaturas criadas em “motion capture” são de primeira qualidade. Mas um filme não vive apenas disso. O argumento é desorganizado. Personagens a saltarem de um lado para o outro, aparentemente, sem grande razão e momentos dramáticos que rapidamente são substituídos por situações caricatas e desnecessárias. Como se os escritores não soubessem que tom queriam passar a determinado momento da história.

Travis-WarcraftA caracterização dos personagens é fraca, especialmente nos personagens humanos. Nunca sabemos as suas motivações para lá daquilo que estão fazer a determinado momento. Travis Fimmel faz de Anduin Lothar, um personagem igual àquele que faz na série “Vikings”, Ragnar Lothbrok. As suas reacções, olhares, maneirismos, até a forma como demonstra aborrecimento é igual. Como se tivesse saído do set de “Vikings” directamente para o de “Warcraft” sem olhar para o guião. Ben Foster (Medivh) está extremamente exagerado em tudo o que faz, Dominic Cooper (Llane Wrynn) um actor que prezo imenso o trabalho, anda perdido, Ben Schnetzer (Khadgar) é desinteressante e só Toby Kebbell (no papel do Orc Durotan) consegue dar algum pathos ao seu personagem.

Duncan Jones é o realizador de duas obras-primas dos últimos dez anos que recomendo vivamente: “Moon” e “Source Code”. Aqui, com muito empenho e dedicação, consegue apenas um filme visualmente apelativo mas dramaticamente vazio. Um mundo vasto e diverso que acaba por se tornar pequeno e por vezes monótono. Esperemos que a sequela seja melhor.