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    Lost Girls – Uma adaptação confusa sobre os crimes de Long Island

    Depois da sua estreia no Sundance Film Festival, Lost Girls está disponível na Netflix, com Amy Ryan no papel principal. Valerá a pena ver este filme?

    Numa época de quarentena, as plataformas de streaming têm ajudado a passar o tempo. O que ver durante esta altura? Talvez Lost Girls, de Liz Garbus, não deva entrar na vossa lista, apesar da grande performance de Amy Ryan (The Office).

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    Lost Girls conta a história de Mari Gilbert, cuja filha Shannan desapareceu misteriosamente em Long Island. Mari pressiona constantemente a polícia para continuar as buscas, apesar de estes desvalorizarem o caso por Shannan ser uma prostituta. No entanto, no meio do processo de buscas, são encontrados restos mortais de outras raparigas, com um perfil semelhante a Shannan. A investigação policial revela assim que são vítimas do serial killer de Long Island (que nunca foi indentificado). O filme foca-se assim na dor das restantes mães e famílias das raparigas e particularmente, numa mãe zangada e as suas duas outras filhas, Sherre e Sarra.

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    Baseado no livro “Lost Girls: An Unsolved American Mystery“, de Robert Kolker, este filme tem uma narrativa algo confusa: a adaptação é sempre um processo complicado e Garbus não foi bem sucedida. Esta história poderia ter sido um excelente documentário, onde Garbus tem mais experiência. É de relembrar que foi nomeada em 2016 para o Óscar com o seu documentário “What Happened, Miss Simone?“. Contudo, parece que ao tornar o foco do filme uma mãe como Mari (e a limitar o filme a isso), perdeu algo crucial: as vítimas reais do serial-killer.

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    Para Garbus, Lost Girls não é mais que uma mãe muito determinada e em luto. A trabalhar dois empregos, tomar conta de duas filhas sozinha, pressionar a polícia e ainda assim arranja tempo para investigar o caso por ela própria. Não é claro como é que ela conseguiu balançar tudo, apesar da ajuda das outras mães. O filme também parece esquecer-se como é que Mari conseguiu levar a cabo tudo isto com os seus poucos recursos financeiros. Lost Girls não devia chamar-se assim, visto que não se trata do caso das raparigas desaparecidas. É mais A História de Mari Gilbert e de como fazer investigação policial freestyle.

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    O filme é algo confuso em relação à passagem do tempo, desde que Shannan desapareceu, até começar a investigação e até descobrirem que estão perante o caso de um serial-killer. As imagens reais da investigação policial (quase passando a ideia ao espetador que estamos perante um documentário) só dificulta na compreensão do filme.

    Apesar da narrativa confusa, Ryan dá uma performance feroz. As suas cenas com a filha Sherre são o melhor que o filme pode dar. A personagem Sherre, interpretada por Thomasin McKenzie (Jojo Rabbit) foi muito pouco aproveitada, mas McKenzie acabou por brilhar nos seus poucos minutos de ecrã.

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    Sarra Gilbert (Oona Lawrence) é uma personagem que é completamente posta de parte, excepto no final do filme, onde mostra que Sarra também sofria de um distúrbio mental. Fui pesquisar no fim do filme o que tinha acontecido a Mari e à sua família. Não é bonito.

    Infelizmente, a Netflix perdeu uma oportunidade de brilhar e apesar de Lost Girls estar no top dos mais vistos em Portugal, não é o filme que valha a pena ver. E certamente não agora com toda a carga negativa e depressiva que o filme carrega.

    Sara Resende
    Sara Resende
    Aluna de doutoramento, guilty pleasure são séries de comédia e anime, com um gosto especial por super-heróis e fantasia.

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