Depois da sua estreia no cinema em 2012 com “A Casa na Floresta”, o realizador Drew Goddard regressa ao grande ecrã em “Sete Estranhos no El Royale”. É acompanhado por um cast de luxo, que está hospedado num hotel peculiar.

Bem-vindo ao “El Royale”, um hotel construído com o propósito de subverter as suas expectativas.”. Esta deveria ser a frase que o recepcionista do hotel deveria proferir, para nos preparar para a viagem atribulada que estávamos prestes a testemunhar.

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Sete Estranhos no El Royale” é um filme sobre o que o próprio título prediz. Sete indivíduos de má fé, com os seus próprios objectivos, que se encontram hospedados ao mesmo tempo no El Royale. Isto é, num hotel construído na fronteira entre Nevada e Califórnia. Entre estes encontram-se um padre (Jeff Bridges); um vendedor de aspiradores (Jon Hamm); uma cantora de segunda categoria (Darlene Sweet); e uma rapariga misteriosa (Dakota Johnson). A vida de todos estará em jogo ao longo da noite. Os seus planos entrarão em conflitos uns com os outros, e tudo o que parecia ser afinal não é.

El Royale

Apesar de ter uma óptima premissa para uma piada clássica, na realidade “Sete Estranhos no El Royale” é um filme que nos surpreenderá ao virar de cada esquina. O argumento está pensado ao pormenor, com um humor tenaz e uma tremenda mestria em aumentar a tensão. Uma espécie de junção entre Tarantino e HitchcockCom uma edição de fazer inveja a Scorcese, todo o enredo é subdividido por subcapítulos. Cada capítulo foca-se então no seu quarto/personagem específico, aprofundando o backstory da pessoa e acentuando o crescendo mistério em volta da mesma.

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As personagens ganham a sua dimensão nas mãos dos actores, que fazem todos um óptimo trabalho. Especial destaque ao veterano Jeff Bridges, que demonstra o porquê de ser um dos melhores da velha guarda. Palavra também para Cynthia Erivo, uma cara nova que ainda irá dar que falar nestas andanças. Porém, Chris Hemsworth rouba a atenção em todas as cenas em que entra, no papel de Billy Lee. Trata-se de uma figura messiânica de um culto espiritual. Entre sarcasmo e assombro, deixa o peito a nu e entrega-se a esta personagem que dá todo o significado ao enredo.

El Royale

Tal como na sua estreia enquanto realizador, Drew Goddard volta aqui a brincar com as expectativas da audiência. Levando-nos assim, ao longo do filme, por caminhos e revelações que não estávamos à espera. Entre metáforas e alegorias, entre crítica sociais e dicotomias entre o Bem e o Mal, depressa o filme demonstra que existe muito mais nele para além do que se lhe é visto na superfície.

Esta profundidade no enredo torna-se convidativo para uma segunda ou terceira visita, porém faz também com que o filme se torne um pouco longo para conseguir abranger tudo o que quer dizer, o que fará com que perca alguma parte da audiência. O mesmo efeito poderia ter sido alcançado com menos flashbacks e menos cenas em que Cynthia canta para a audiência. Diminuindo assim a duração significativamente, para oferecer um filme com maior foco no objectivo.

El Royale

Com uma fotografia on point e a rondar os 140 minutos, “Sete Estranhos no El Royale” apela à audiência para que esta tenha paciência, prometendo desvendar tudo no seu devido tempo. Quem ficar com o filme até ao fim, verá que valerá a pena. É uma excelente estadia, apesar de não vir a ser apreciada por todos.