‘Shazam!’, realizado por David F. Sandberg, veio enriquecer o Universo da DC com a história de origem de um herói peculiar. Mostra-nos a importância da comédia enquanto transmissora de aprendizagens fundamentais ao mesmo tempo que nos diverte.

Imagina que tens 14 anos, acabaste de ser adotado/a por uma família de acolhimento à qual ainda te estás a adaptar e um dia és puxado para uma dimensão fantástica, onde conheces um feiticeiro (Djimon Hounsou) – mesmo ao estilo de Harry Potter – e ele diz que vai dar-te todos os seus poderes…

É exatamente isso que acontece com Billy Batson (Asher Angel)um rapaz de poucas palavras, independente e solitário desde que se perdeu da sua mãe quando era pequeno. Apesar dos anos terem passado, ele nunca desistiu de a procurar mesmo que isso implicasse fugir do sistema de adoção e meter-se em sarilhos.

De repente Billy ganha uma família, com a qual não se identifica imediatamente apesar dos esforços de todos.

Shazam

A história está focada precisamente nesta adaptação de Billy à nova família e ao seu recente poder – basta-lhe dizer a palavra mágica que entitula o filme e transforma-se num herói adulto (Zachary Levi) com vários poderes que vão desde a capacidade de voar até ao lançamento de raios com as mãos.

No início, a novidade é assustadora depois divertida. Mas é quando chega o antagonista da história (Mark Strong) que as coisas se complicam e Billy percebe que não consegue vencer na batalha e na vida sozinho.

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Asher Angel, Jack Dylan Grazer, Grace Fulton, Jovan Armand, Faithe Herman e Ian Chen constituem o elenco jovem desta aventura e estão fantásticos. A química entre todos é visível e dá para perceber que cada um à sua maneira se divertiu muito a interpretar o seu papel. Faithe Herman é a actriz mais jovem do elenco e entrega uma representação simplesmente adorável.

Jack Grazer também se destaca ao interpretar o melhor amigo de Asher/Zachary. Os momentos em que temos os dois atores em cena são especiais, porque vemos a sua relação a desenvolver-se com todos os altos e baixos habituais. Nota-se que o realizador teve o cuidado de nos entregar arcos de desenvolvimento que não são superficiais.

Temos uma banda sonora moderna com músicas mainstream e efeitos visuais muito bem conseguidos. A comédia também está excelente, dando ao filme uma leveza única com bastantes referências interessantes, que assim nos permite identificarmo-nos com os personagens.

Há quem tenha comparado Shazam a Deadpool (2016), mas para um público mais jovem. Eu consigo entender essa afirmação, no entanto, acredito que Shazam tem a sua própria identidade e serve para todas as idades.

Apesar de eu não ser grande fã de filmes de super heróis, confesso que Shazam me surpreendeu. Chegou e convenceu em todos os aspetos. Agora é aguardar pacientemente o regresso deste herói trapalhão que aos poucos aprendeu a importância da união, de pertencer a uma equipa, a uma família.