Laura Luchetti é uma realizadora e argumentista italiana que chega ao London Film Festival com o seu filme “Twin Flower” que retrata uma historia de amizade e amor entre dois jovens que, em circunstâncias diferentes, nunca se teriam cruzado. Eu sentei-me com a realizadora para conversamos sobre o seu filme e como se sente ao ter sido escolhida para um dos festivais de cinema mais importantes do Reino Unido.

Estou tão emocionada por estar neste festival. É a primeira vez que venho com um filme, normalmente estou do outro lado. Fui um membro da audiência por muito tempo e fiquei extremamente feliz quando o meu filme foi selecionado para participar. Este festival e Londres são como uma casa para mim.

Uma das coisas que me interessou muito neste filme e despertou a minha curiosidade é que eu adoro histórias de pessoas que, se não fossem estas circunstâncias, nunca se teriam conhecido. O que a fez escolher esta historia para contar?

Eu queria contar uma historia sobre um encontro magico entre duas pessoas que vieram de mundos completamente diferentes. Não falam a mesma língua, não vêm do mesmo país, eles são completamente diferentes um do outro. Mas magicamente se encontram, enquanto fogem do passado, passado esse que os traumatizou de certa forma e agora que se encontraram, não conseguem viver um sem o outro. Uma amizade que se transforma numa amizade especial que se transforma numa relação completamente única. Que os irá salvar, salvar a inocência que perderam e que irão caminhar juntos para o futuro.

Quando li o titulo do filme a primeira coisa que pensei foi em Twin Flames, para quem não conhece o conceito, é algo que difere de uma alma-gémea. Dizem que podemos ter mais do que uma alma-gémea, mas Twin Flame só temos uma.

É exatamente isso! Há uma frase no filme que explica isso mesmo. Que uma flor que é feita de duas flores é algo fora do comum e extremamente raro e que nunca deve ser separada. E isso é o que acontece com estas duas personagens, elas nunca devem se separar.

O cinema está a abrir cada vez mais portas a talentos femininos, seja na direcção ou na escrita, entre outros, o que pensa Laura Luchetti sobre isto?

Espero que não seja só uma fase. Que dure um ou dois anos e depois voltamos ao mesmo. Quero que isto faça com que haja mais e mais bons trabalhos, acho que é isso que está a acontecer.

Este filme retrata uma historia de amor. Porque decidiu este tema?

Eu acho que o amor tem um grande impacto em mim. Histórias que os meus amigos me contam; Histórias de amor complicadas e impossíveis, como a deste filme, isso é o que chama a minha atenção. A vida real é recheada de historias de amor!

Se pudesse escolher um/a realizador/a para fazer um filme sobre a sua vida, quem escolheria e porquê?

Uma realizadora que eu amo porque ela é engraçada, carismática, esperta, conhecedora. Uma ícone! A Agnes Varda! (risos).

Antes de nos despedirmos Laura reparou eu que tinha um boneco do Jack Skellington (Estranho Mundo De Jack) e contou-me sobre a sua paixão pelo stop-animation e como já fez duas curtas dentro deste género e de como deseja fazer um longa-metragem. Ficamos a aguardar mais sobre esta realizadora e esperamos voltar a ver as suas historias no grande ecrã!