As salas IMAX reabrem com “Mortal Kombat”, na promessa de entregar aos fãs a experiência cinematográfica que redime a adaptação de 1995.

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Violência extrema nas cenas de luta e one-liners do videojogo no momento certo devem agradar à geração que passou horas a jogar “Mortal Kombat”.

A 19 de Abril as salas de cinema reabriram em Portugal ao fim de mais de 3 meses encerradas. As escolhas variam do nomeado a 6 Óscares “Nomadland: Sobreviver na América” à nova animação Disney “Raya e o Último Dragão”. No entanto, para os amantes de blockbusters cheios de ação e com humor à mistura, a escolha recairá em “Mortal Kombat”.

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Nova adaptação dos jogos “Mortal Kombat” que começaram o seu percurso nas arcadas e PS1, o filme do realizador estreante Simon McQuoid que chega agora às salas serve de reboot à saga cinematográfica.

Isto depois do filme nos anos ’90, com realização de Paul W.S. Anderson (que a 13 de Maio estreia a sua adaptação de “Monster Hunter”, com Milla Jovovich), que apesar da baixa qualidade não se levava muito a sério e por isso fica na memória dos fãs com um estatuto de culto. Quanto à sequela de John R. Leonetti o melhor é nem falar.

Mas voltando ao “Mortal Kombat” de 2021, o filme divide-se em diversos pontos positivos e negativos, mas acima de tudo proporciona um bom divertimento de ‘desligar o cérebro’ e deverá agradar aos fãs de videojogos de luta e fantasia em geral. É sobretudo um filme ideal para adolescentes e jovens adultos desfrutarem no cinema com amigos, embora a conjuntura atual não seja a mais favorável.

Apesar de no filme o protagonista, o lutador de MMA Cole Young (Lewis Tan, “Deadpool 2”), ser uma personagem inexistente dos videojogos, este está perfeitamente integrado na narrativa e na ligação às personagens dos jogos. Sendo que são apresentados easter eggs e algumas surpresas para possíveis sequelas, que certamente agradarão aos fãs mais acérrimos.

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Este não é um filme para se pensar muito no argumento nem na capacidade de representação dos atores, é sobretudo uma aventura dinâmica em que as personagens têm o objetivo de chegar a um local e impedir a destruição do nosso planeta. Pelo caminho deparam-se com um leque de antagonistas, dos quais o espectador tem direito a um conjunto de lutas.

É exatamente nas lutas que se encontram os pontos mais positivos e negativos do filme. A primeira cena de “Mortal Kombat”, revelada na internet para promoção da estreia, coloca-nos no Japão do séc. XVII, em que Hanzo Hasashi, interpretado por Hiroyuki Sanada (“A Sombra do Samurai”), tenta defender a todo o custo a sua família de Bi-Han (Joe Taslim, “The Raid”), que logo percebemos ser o vilão Sub-Zero.

Esta cena tem um ambiente e estética totalmente diferentes do resto do filme. Sombria e tensa, segue a um ritmo pausado em que nunca se sabe quão perto o perigo se encontra, nem qual será o rumo dos acontecimentos.

De seguida, “Mortal Kombat” muda totalmente quando chega ao presente para um filme mais genérico e menos estilizado, com mais cor e mais humor. Mas enquanto a luta do prólogo e as lutas iniciais – o combate de MMA, o aparecimento de Sub-Zero no presente e o confronto com Kano – são bem realizadas e têm uma boa montagem, à medida que o filme avança, por melhor que seja a coreografia, a edição das cenas torna-se tão recortada que é difícil apreciar os golpes e os movimentos.

A dado momento somos presenteados com um conjunto de três lutas em simultâneo, mas em que mal se percebe o que está a acontecer devido à multitude de cortes rápidos entre dezenas de planos aproximados. É sobretudo uma pena, pois desperdiça um bom trabalho de coordenação de duplos, que seria muito melhor aproveitado com planos um pouco mais amplos e com uma duração superior a 5 segundos.

No entanto, algo que não falta em “Mortal Kombat” são os famosos one-liners das personagens como “Finish him” e “Get over here”, com um excelente timing na forma como são introduzidos no filme. Sendo que os melhor empregues são “Kano wins” e “Flawless victory”, que garantem duas valentes gargalhadas na sala de cinema.

E por falar em Kano, o ator australiano que o interpreta, Josh Lawson (nomeado a 1 Óscar em 2018 pela curta “The Eleven O’Clock”), é verdadeiramente quem está mais confortável na pele da sua personagem, garantindo os melhores momentos e quotes do filme.

“Mortal Kombat” é sobretudo um filme que agradará aos amantes de videojogos e de cinema de ação ‘moderna e desenfreada’, e que certamente será melhor aproveitado no grande ecrã. Vale o preço de um bilhete na companhia de apreciadores deste estilo, que vibrarão com vários momentos do filme.

“Mortal Kombat” estreou a 19 de Abril nos cinemas.