Estou em South Kensington para mais uma vez cobrir o festival de cinema italiano que celebra a sua décima edição!

Este ano contámos com uma variedade incrível não só nos géneros como também nos temas, realização e foco! Tive a oportunidade de ver filmes incríveis e de falar com realizadores e actores sobre os seus trabalhos. Entre sessões e Q&A’s ainda tivemos a oportunidade de estar no mais recente café que abriu no Instituto Francês onde houve até música ao vivo! Sem mais demora vamos então falar de cinema italiano.

Houve vários filmes presentes neste festival e um dos que irei destacar é “Il ladro di giorni – Stolen Days”, um filme que conta a história de um pai que sai recentemente da cadeia e tenta reatar a relação com o seu filho de apenas onze anos. A relação entre pai e filho é quase um espelho da relação que existe na obra “A Ilha Do Tesouro” e quase uma aventura em tempos modernos retratada de forma mais íntima.

Estive à conversa com o realizador Guido Lombardi (“Take Five”) e o ator Riccardo Scamarcio (“John Wick 2”, “Sílvio e os Outros”, “Master of None”) que me contaram como surgiu a ideia deste filme e porque disse sim a este argumento:

GL: ” Quando eu tinha dez anos o meu pai trouxe-me ao escritório dele. Eu tinha aquela curiosidade de saber o que o meu pai fazia quando saía de casa. Ele era um juíz, não um criminoso como no filme (risos). Foi nessa altura que me apercebi que o meu pai não era só meu pai mas sim alguém com um passado e vida da qual eu não tinha qualquer informação e foi essa curiosidade que me deu esta ideia.”

RS: ” Eu conheço o produtor há bastantes anos e ele disse-me para eu ler este argumento e que seria uma história clássica e sentimental e quando li pensei – vamos lá fazer um bom filme sentimental!”

A relação entre Salvo e o pai Vincenzo é o centro deste filme e a química entre ambos é formidável:

GL: “Eu realizei o filme na sequência exacta dos acontecimentos no filme então a evolução que vemos durante o filme é real tanto no filme como fora.

RS: “Quando estava a fazer este papel pensei muito no meu próprio pai. A minha interpretação foi a perspectiva que tinha do meu pai, quando eu era criança.” 

GL: “Descobrir quem são os teus pais é em si, uma aventura!”

RS: “Para mim o desafio desta personagem é que ele é de facto um criminoso! Ele sai da cadeia, a mulher faleceu e agora ele quer usar o filho num último golpe. É um otário (risos). Mas aos poucos ele percebe que o verdadeiro tesouro está ali do lado dele.” 

Ver também: Cinema Italiano em Londres de 4 a 9 de Março

Eu não pude deixar de perguntar a Riccardo Scamarcio: Se pudesse escolher uma personagem, para ser ou interpretar, de um desenho animado da sua infância quem escolheria e porquê?

RS: “O Conan! (risos) Daquela série do Miyazaki, lembras-te? Eu sou esse Conan! (risos)”

Scamarcio, mais conhecido por “O Meu Irmão é Filho Único” e “John Wick 2” e que participou também na série Netflix “Master of None”, estará este ano nos cinemas portugueses em “Os Tradutores”, thriller que conta com Olga Kurylenko e a portuguesa Maria Leite. Será também o protagonista do muito aguardado novo filme de Nanni Moretti “Tre piani”.

Guigo Lombardi realizou “Là-bas: Educazione criminale”, pelo qual foi nomeado ao David di Donatello de Melhor Novo Realizador e “Take Five”, outro filme de crime também nomeado aos Prémios da Academia de Cinema Italiano.

Ver também: Prémios Sophia, Festa do Cinema Italiano e Monstra adiados

“Il ladro di giorni” é protagonizado por Riccardo Scamarcio e pelo estreante Augusto Zazzaro e fez parte da Seleção Oficial da Festa del Cinema di Roma, para além da referida passagem pelo festival Cinema Made in Italy.