O festival Cinema Made in Italy é uma óptima forma de se ficar a par do melhor que o cinema italiano tem para oferecer!

Um dos filmes que destaco neste festival é Il corpo della sposa – Flesh Out” da realizadora Michela Occhipinti que traz à luz uma prática típica da Mauritânia chamada “Gavage” onde as mulheres, ainda adolescentes, são forçadas a comer excessivamente para poderem atrair um marido.

Conversei com a realizadora que me contou como surgiu a ideia de fazer este filme com um assunto tão específico e porque é importante mostrar que a pressão que as mulheres sentem para atingir certos parâmetros físicos é algo que se vê em diferentes culturas.

Em 2011 tive um momento em que enquanto estava a lavar os dentes reparei que tinha rugas. Não fiquei chateada por tê-las mas sim porque estava a pensar na estética e reparei que era algo que eu estava condicionada a pensar. As mulheres têm demasiada pressão sobre os seus corpos e é por isso que provocamos tanta violência nele e não acho isso normal.

Encontrei um artigo que falava sobre esta prática e de certa forma, tocou-me imenso. Muita gente diz que é diferente porque as mulheres lá são obrigadas e aqui fazem por escolha própria mas eu respondo – não é verdade, estás condicionada a fazer essas escolhas desde criança.

A protagonista, Verida, é interpretada por Verida Beitta Ahmed Deiche. A realizadora fala um pouco mais sobre a personagem:

” No fundo retrata como os outros nos vêem e como vemos os outros. Verida sente que toda a gente a vê para saber se ela já engordou mais ou se entretanto perdeu peso mas no final ela vê-se a ela mesma tal como é e isso é o que todos nós desejamos desde sempre: que alguém nos veja como realmente somos.”

Ver também: Quick Fire #7 – Riccardo Scamarcio & Guido Lombardi

“Flesh Out” é a primeira longa-metragem de ficção da realizadora. Occhipinti realizou em 2010 o documentário “Letters From the Desert (Eulogy to Slowness)”, vencedor da Menção Honrosa do Festival Camerimage.

Entre vários outros filmes que passaram pelo festival destaco “Sole” de Carlo Sironi e “Bangla” de Phaim Bhuiyan.

E assim terminamos o festival com esperança que haja mais para o ano e que vos iremos trazer o melhor do cinema que se faz em Itália!