Vindo directamente do México, “A Marca do Demónio” é um exemplo de terror internacional que poderemos encontrar escondido pelas vielas da Netflix

Todos os países que produzem filmes têm as suas tentativas de fazer filmes de terror. Uns mais bem sucedidos que outros, mas todos com o objectivo sagrado de fazer levantar os pêlos da nuca e acelerar o nosso coração.

Pelos recônditos da Netflix podemos encontrar várias destas pérolas de terror internacionais. E uma das mais recentes foi este “A Marca do Demónio”.

Passada debaixo do sol caloroso mexicano, “A Marca do Demónio” conta-nos a história de Camila, uma jovem adolescente que fica possuída por uma entidade maléfica depois de uma brincadeira com a sua irmã. Agora, a única forma de salvar a sua alma é com a ajuda de Tomás, um padre toxicodependente, e Karl, um homem que cresceu com um demónio dentro dele. 

Irei começar por esta análise por dizer que este é, possivelmente, é um dos piores exemplos de terror que o cinema internacional nos pode dar. E porquê? Porque não chega a ser verdadeiramente um filme. Nada neste “A Marca do Demónio” é motivo para realçar. Não tem mesmo ponta por onde se lhe pegue. 

O enredo é o básico dos básicos. É uma história sobre possessão como tantas outras que já se contaram. Mas, mesmo assim, o argumento de Ruben Escalante Mendez consegue não fazer sentido. Tenta colocar algum misticismo e folclore na história, mas não chega a conseguir colar bem a ligação entre a jovem Camila e Karl, acabando num confronto final que não importa a ninguém. 

Muito do desinteresse que o espectador cria relativamente a este filme passa também pelas suas personagens. Nenhuma delas é devidamente aprofundada, todas apenas têm uma característica ou algo específico que as distingue e nada mais. Para a mãe é o facto de ser linguista, para o pai é o facto de fazer um puzzle, para o padre é o facto de ser toxicodependente, e assim por adiante. Todas são fachadas daquilo que pretendem ser. 

E esta falta de profundidade leva a que o empenho por parte dos actores também fica aquém. E não é por falta de experiência, porque alguns dos que estão presentes em “A Marca do Demónio” já representam desde os anos 90. Parte sim de um argumento que mais parece um rascunho e de uma realização despreocupada. 

O realizador Diego Cohen fez um desastroso trabalho a dirigir e na edição. O filme está recheado, de uma ponta à outra, com interpretações secas e robóticas, planos de câmara tremidos e não planeados e uma edição  descabida e sem sabor. Este filme parece ser amador, como se de um projecto de estudante se tratasse. Porém, este já é o 5º filme de Cohen – ele já deveria ter aprendido como conduzir os seus filmes.

As tentativas para assustar o espectador não passam de jumpscares previsíveis e sem motivo de existência, acompanhados por uma banda-sonora vulgar e efeitos visuais que deixam muito a desejar.

O único ponto de salvação para “A Marca do Demónio” era se este fosse uma paródia a filmes de terror, se enterra-se a sua tentativa de ser um filme sério e se deixa-se levar pela sua própria ridicularidade. Porém, não tem o humor para tal e apenas nos resta um filme secante que, em apenas 80 minutos consegue levar o espectador a ponderar desistir do filme mais de 10 vezes.

No fim de tudo, “A Marca do Demónio” é um dos exemplos de como não deve ser feito um filme de terror. Sem rumo, pobre, amador e a cair no absurdo, “Marca do Demónio” é um filme que existe – e este é o maior elogio que lhe consigo dar.