CinemaDestaquesFestivais de cinemaFeminista Film Festival – Inspiração no Feminino

Encontro-me em Notting Hill num Domingo solarengo para conversar com Dan Mucha, director do Feminista Film Festival que tem hoje a sua primeira edição. Ao entrar no The Tabernacle vejo que o ambiente já se começa a sentir. Grupos a conversar, flyers a serem distribuídos, e a antecipação dos filmes que irão ser mostrados em breves momentos. Peço um soya latte e sento-me numa mesa onde o ambiente rústico me leva a imaginar que estou numa taberna entre artistas e poetas.
Maria Lima Maria LimaOut 10, 20189 min

Encontro-me em Notting Hill num domingo solarengo para conversar com Dan Mucha, diretor do Feminista Film Festival. É a sua primeira edição.

Ao entrar no The Tabernacle vejo que o ambiente já se começa a sentir no Feminista Film Festival. Grupos a conversar, flyers a serem distribuídos, e a antecipação dos filmes que irão ser mostrados em breves momentos. Peço um soya latte e sento-me numa mesa onde o ambiente rústico me leva a imaginar que estou numa taberna entre artistas e poetas. Passado alguns minutos Dan chega, senta-se à minha mesa e pede desculpa por ter o telemóvel com som mas que tem que estar preparado.

 Para o caso de algo correr mal e eu ter que ir a correr resolver. (risos)

Feminista Film Festival chamou-me a atenção, não só pelo título mas também pela lista de filmes/temas escolhidos para exibir. Um festival de cinema inteiramente dedicado ao papel feminino tanto nas Artes como no Desporto. Uma lista de documentários que exploram as vidas, lutas e vitorias de mulheres que hoje em dia podem muito bem servir de modelos para inspirar jovens.

Mas como tudo isto começou? Como é que Dan, pai de duas meninas, resolveu criar este festival de cinema?

O conceito para este festival surgiu há um ano atrás e foi motivado por varias motivos. Um foi o facto de ter duas filhas, uma bailarina e outra futebolista, e isso fez-me ver o mundo através dos seus olhos e eu percebi que elas não tinham acesso a role models, particularmente através dos media e no seu dia-a-dia.

É um facto. Encontrar exemplos femininos no dia-a-dia, na nossa televisão ou nas redes sociais que sejam uma inspiração positiva para as jovens não é assim tão fácil. E o que pode um pai fazer para mudar a situação?

Eu achei que poderia contribuir de certa forma para arranjar uma solução para este problema. Juntei as peças do puzzle e concluí que organizar um festival de cinema seria o ideal. Acredito que conteúdo seja um agente de mudança bastante forte, daí o cinema ser um veículo perfeito para essa mudança.

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O Feminista Film Festival centrou-se na exibição exclusiva de documentários sobre o papel da mulher nas artes e no desporto. Com curtas e longas desde “Kim Swims” que nos conta a historia da primeira nadadora a fazer 30miles sobre águas infestadas de tubarões em São Francisco, a histórias sobre bailarinas como “Balancé” e “The Prodigy”. Uma lista fantástica para um fim de semana preenchido onde houve sessões especiais para famílias com animações incluídas.

Mas porque Dan escolheu o cinema como forma de “apresentar” estes role models?

Ótima pergunta! Eu acredito que conteúdo é uma arma muito poderosa no que conta a mudança. Políticos podem mudar leis com o tempo, negócios podem influenciar os desejos dos consumidores, mas quando penso nas mudanças, por exemplo, na aceitação da comunidade gay na America, eu penso no quanto a Ellen Degeneres impactou o publico americano quando se assumiu gay. Muito mais do que qualquer politico, e isto é apenas um dos muitos exemplos. E como eu trabalhei no NBC News acho que escolher o Cinema foi algo natural.

Na verdade, muitos de nós esquecemos o poder que o cinema tem de mudar opiniões. De nos fazer pensar e refletir sobre uma situação atual ou algo que aconteceu no passado. E como Dan me corrigiu e muito bem:

Não há falta de role models, há sim falta de visibilidade destes roles models.

Terminamos a nossa entrevista com uma pequena visita ao local onde numa parede estão imagens de mulheres fantásticas com historias inspiradoras para todos os gostos, com esperança que alguma delas mude e inspire uma jovem a seguir os seus sonhos.

Maria Lima

Maria Lima

M.J.Lima nasceu no Porto onde estudou Teatro Contemporâneo e Dança. Depois de quase 10 anos no mundo do espetáculo decidiu ir viver para Londres. Em 2015 publicou a sua primeira banda desenhada com a Chiado Editora, Patient EV-136, e está a trabalhar em novos projectos.