Comic Con PortugalComic Con Portugal 2017DestaquesLet's TalkLet’s Talk #28 | Angélica Elfic, a heroína do Cosplay

O termo Cosplay já é usado no nosso vocabulário com regularidade, há uns anos para cá que passou a fazer parte da Pop Culture, de convenções e concursos por todo o mundo. Esta modalidade foi abraçada por quem faz disto um estilo de vida ou apenas quem o faz pelo simples prazer de por um fim-de-semana se transformar na sua personagem favorita. Não há limites para o que se pode fazer, há apenas a vontade...
Maria Lima Maria LimaDez 3, 2017114 min

O termo Cosplay já é usado no nosso vocabulário com regularidade, há uns anos para cá que passou a fazer parte da Pop Culture, de convenções e concursos por todo o mundo.

Esta modalidade foi abraçada por quem faz disto um estilo de vida ou apenas quem o faz pelo simples prazer de por um fim-de-semana se transformar na sua personagem favorita. Não há limites para o que se pode fazer, há apenas a vontade de ser mais. Um herói, um vilão, um desenho animado ou uma personalidade. Dentro deste tema, e quando me pediram para entrevistar alguém da área, apenas um nome me veio à cabeça: Angélica Elfic.

Eu e a Angélica já nos conhecemos há bastantes anos, lembro-me de quando ela tinha uma pequena loja no Centro Comercial de Cedofeita, onde vendia peças peculiares e dentro da temática de Fantasia, o que, como podem perceber, foi o que me atraiu à primeira vista. Ficamos amigas quase de imediato, entre a nossa paixão pelo Tolkien até ao cinema que mais nos marcou. Angélica contou-me de onde surgiu este amor pela costura e criação: Surgiu quando tinha uns 5\6 anos, quando comecei a costurar as primeiras roupas para as minhas bonecas, onde já me inspirava em sereias, fadas, elfos e personagens mitológicas”Muitos de nós temos paixões e talentos quando somos mais novos, porém, são poucos aqueles que levam estes sonhos mais longe e de forma profissional, o que não aconteceu neste caso: Só comecei a levar o trabalho que faço hoje em dia mais a sério, quando tinha 19 anos, que foi quando comecei a fazer peças para vender a amigos, que gostavam das que eu usava, e me perguntavam onde comprava. Aí percebi que poderia pelo menos fazer algum dinheiro a criar roupas relacionadas com fantasia

Fantasia é uma palavra que ainda faz algumas pessoas torcerem o nariz, associarem com algo infantil e ingénuo e que seja longe da dura realidade. Não poderiam estar mais longe da verdade. Fantasia é uma palavra cheia de significado quase que, como uma piñata, se lhe damos o devido embate ela explode em diversos temas e assuntos que nos transportam e nos fazem avaliar a nossa dura realidade de maneira não só mais aberta mas cheia de possibilidades. Nas roupas e nas personagens escolhidas por Angélica, Fantasia reina suprema e ela explica-nos o porquê desta escolha: Principalmente não haver limites. O poder colocar em prática qualquer coisa que me surja na cabeça, mesmo que a ideia seja muito estranha, é sempre possível torna-la real. Não existe regras por assim dizer.”

O percurso desta artista não começou pelo Cosplay, mas sim pela criação de peças únicas e de personagens com nomes dados pela própria. O que a fez, passado estes anos, mergulhar no mundo do Cosplay? Sempre me inspirei em algumas personagens existentes, como algumas criadas por Tim Burton ou Tolkien. O Cosplay surgiu mais tarde, como uma vontade de eu provar a mim mesma que também conseguia reproduzir personagens iguais ás que já existiam, sem ser algo só inspirado no conceito delas. Foi um desafio que tinha de colocar a mim mesma, para tentar também diversificar o que criava.”

Em 2015, na Comic Con Portugal, Angélica Elfic decide pela primeira vez concorrer ao concurso do Heroes Of Cosplay, que venceu. A sua vitória não surpreendeu a quem a seguia há anos, mas mesmo assim surpreendeu a artista, que me contou sobre a sua experiência no maior evento de Pop Culture do país: O primeiro concurso cosplay que participei. No passado já tinha participado em desfiles e outros concursos relacionados com moda, mas nunca tinha experienciado um concurso cosplay. Posso dizer que adorei a experiência, apesar de toda a pressão que estes concursos envolvem. Tive a oportunidade de criar uma das minhas personagens favoritas, a Sylvanas Windrunner de Warcraft, e como tinha capa com capuz e a minha pele estava toda maquilhada de azul, ninguém me reconhecia, o que tornou a experiência ainda mais engraçada. Subir ao palco e ter a oportunidade de actuar na pelede uma das minhas personagens favoritas de sempre de gaming, é algo que nunca vou esquecer! Tive a sorte de ganhar o concurso, no meio de tantos cosplayers talentosos, alguns mesmo de outros países, que também vieram tentar a sua sorte neste concurso.”

Se estás a pensar em fazer Cosplay, se isto é algo que te faz vibrar, seja de maneira profissional ou não, a Angélica Elfic deixou-me alguns conselhos: “O melhor conselho que posso dar, é as pessoas criarem os fatos de coração. E com isto quero dizer, criarem a personagem que gostam mesmo, e não por estar na moda, ou porque são influenciados por terceiros. O mais importante é gostarmos do que vestimos, pois é de certa forma uma homenagem ás personagens que amamos. Não deixarem que o seu aspecto físico, idade, ou cor de pele, influenciem a personagem que criam. E acima de tudo criarem essa personagem como gostam, pois não se precisa de se ser fiel à fonte, até porque muitos fatos não são funcionais na vida real.” 

Espero que vocês, tal como eu, fiquem à espera do que o futuro nos vai trazer em relação a esta artista. Novas criações, novas personagens. Espero também que este artigo vos faça querer entrar no mundo do Cosplay. Que nesta edição da Comic Con Portugal vos veja como a personagem que sempre quiseram ser! Afinal de contas, é nestes eventos que podemos ser nós mesmos sem correr riscos de sermos julgados. Aqui é onde a Fantasia e Realidade se unem para celebrar o que nos faz ser humanos, e isso é a nossa imaginação.

“BE WHATEVER YOU WANT”

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Maria Lima

Maria Lima

M.J.Lima nasceu no Porto onde estudou Teatro Contemporâneo e Dança. Depois de quase 10 anos no mundo do espetáculo decidiu ir viver para Londres onde trabalha como escritora de Banda Desenhada e jornalista de Entretenimento.