“A Ilha da Fantasia” é um reboot da série televisiva dos anos 70 com o mesmo nome, sendo que desta vez pretende injectar um twist mais terrorífico e moderno ao conceito.

O enredo é bastante simples: 5 pessoas foram sorteadas para passar um fim-de-semana numa ilha remota, conhecida por realizar uma fantasia a cada um deles. Tendo como anfitrião Mr. Roarke (Michael Penã), a quem poderão recorrer quando necessário, os convidados depressa irão descobrir que as suas fantasias ganham contornos inesperados e sinistros. 

O argumento deste reboot esteve nas mãos de três indivíduos – e isso é visível a todos os instantes. Este “Ilha da Fantasia” não sabe aquilo que quer ser, hesitante sobre o seu potencial, joga tudo contra a parede a ver se algo cola. 

Apesar da tentativa dos actores em oferecerem boas prestações, estes têm realmente muito pouco com o que trabalhar. As personagens nunca chegam a ter um grande aprofundamento, e quando o argumento tenta resgatar algo, já é demasiado tarde e as personagens tornam-se desinteressantes.

Este desinteressante é adensado pelo facto do filme dividir-se em 5 personagens distintas, não conseguindo dar o devido tempo a nenhuma. Desde Lucy Hale, passando por Maggie Q e Ryan Hansen, nenhum consegue criar uma personagem tridimensional para o público. Tudo isto acompanhado por um diálogo vindo de um primeiro rascunho, torna-se, de facto, um filme pouco vistoso para as personagens. 

Com uma tentativa em chegar a um público mais jovem, “A Ilha da Fantasia” anda num limbo entre piadas e momentos de tensão, sendo que o humor não resulta e a tensão é demasiado restringida e realizada de forma banal, não chegando a prender o espectador. 

O realizador Jeff Wadlow não imprime qualquer tipo de identidade própria nesta sua realização. Com a utilização de shaky cam em momentos de acção, uma edição frenética na tentativa de esconder os duplos e jumpscares baratos, nada encanta nesta viagem. 

“A Ilha da Fantasia” ainda tenta dar algum brilho e propósito à sua história com revelações no terceiro acto. Porém, torna-se um plot twist sem mérito, sem fundamento e sobre o qual o espectador não tem qualquer motivo para se deixar encantar com o mesmo. 

Em vez de jogar pelo seguro, a equipa por detrás de “A Ilha da Fantasia” quis expandir as suas ideias rebuscadas. Porém, o maior defeito do filme é não ter um tom definido e no qual está assente desde o início. 

Não sabe se há de ser um filme de terror engraçado, com humor e a abraçar a ridicularidade do contexto em que se insere a história, ou se há de ser um filme de terror sério, com consequências para as suas personagens e uma lição para o público. 

No fim, “A Ilha da Fantasia” apresenta um conceito com potencial, interessante e sobre o qual teria muitos caminhos por explorar. Porém, fica entre o humor e o terror, entre o caminho seguro e a exploração abstracta. Sem qualquer tipo de sabor próprio, é um filme de fantasia pouco fantasioso e bastante esquecível.