CinemaCríticas de CinemaDestaquesEstreiasEstreias da SemanaFilmes“A Ilha da Fantasia” – Uma Fantasia Pouco Fantasiosa

“A Ilha da Fantasia” é um reboot da série televisiva dos anos 70 com o mesmo nome, sendo que desta vez pretende injectar um twist mais terrorífico e moderno ao conceito.
João Borrega João BorregaFev 13, 202040/100
Realização
Jeff Wadlow
Elenco
Lucy Hale, Michael Peña, Maggie Q, Portia Doubleday
Data de Estreia
13 Fev. de 2020
Duração
110 minutos
Género
Ação, Fantasia, Terror
Distribuidor
Big Picture
Overall Score
Rating Overview
Realização
45%
Representação
45%
Argumento
40%
Fotografia
40%
Banda-sonora
30%
Rating Summary
“A Ilha da Fantasia” apresenta um conceito com potencial, interessante e sobre o qual teria muitos caminhos por explorar. Porém, fica entre o humor e o terror, entre o caminho seguro e a exploração abstracta. Sem qualquer tipo de sabor próprio, é um filme de fantasia pouco fantasioso e bastante esquecível.

“A Ilha da Fantasia” é um reboot da série televisiva dos anos 70 com o mesmo nome, sendo que desta vez pretende injectar um twist mais terrorífico e moderno ao conceito.

O enredo é bastante simples: 5 pessoas foram sorteadas para passar um fim-de-semana numa ilha remota, conhecida por realizar uma fantasia a cada um deles. Tendo como anfitrião Mr. Roarke (Michael Penã), a quem poderão recorrer quando necessário, os convidados depressa irão descobrir que as suas fantasias ganham contornos inesperados e sinistros. 

O argumento deste reboot esteve nas mãos de três indivíduos – e isso é visível a todos os instantes. Este “Ilha da Fantasia” não sabe aquilo que quer ser, hesitante sobre o seu potencial, joga tudo contra a parede a ver se algo cola. 

Apesar da tentativa dos actores em oferecerem boas prestações, estes têm realmente muito pouco com o que trabalhar. As personagens nunca chegam a ter um grande aprofundamento, e quando o argumento tenta resgatar algo, já é demasiado tarde e as personagens tornam-se desinteressantes.

Este desinteressante é adensado pelo facto do filme dividir-se em 5 personagens distintas, não conseguindo dar o devido tempo a nenhuma. Desde Lucy Hale, passando por Maggie Q e Ryan Hansen, nenhum consegue criar uma personagem tridimensional para o público. Tudo isto acompanhado por um diálogo vindo de um primeiro rascunho, torna-se, de facto, um filme pouco vistoso para as personagens. 

Com uma tentativa em chegar a um público mais jovem, “A Ilha da Fantasia” anda num limbo entre piadas e momentos de tensão, sendo que o humor não resulta e a tensão é demasiado restringida e realizada de forma banal, não chegando a prender o espectador. 

O realizador Jeff Wadlow não imprime qualquer tipo de identidade própria nesta sua realização. Com a utilização de shaky cam em momentos de acção, uma edição frenética na tentativa de esconder os duplos e jumpscares baratos, nada encanta nesta viagem. 

“A Ilha da Fantasia” ainda tenta dar algum brilho e propósito à sua história com revelações no terceiro acto. Porém, torna-se um plot twist sem mérito, sem fundamento e sobre o qual o espectador não tem qualquer motivo para se deixar encantar com o mesmo. 

Em vez de jogar pelo seguro, a equipa por detrás de “A Ilha da Fantasia” quis expandir as suas ideias rebuscadas. Porém, o maior defeito do filme é não ter um tom definido e no qual está assente desde o início. 

Não sabe se há de ser um filme de terror engraçado, com humor e a abraçar a ridicularidade do contexto em que se insere a história, ou se há de ser um filme de terror sério, com consequências para as suas personagens e uma lição para o público. 

No fim, “A Ilha da Fantasia” apresenta um conceito com potencial, interessante e sobre o qual teria muitos caminhos por explorar. Porém, fica entre o humor e o terror, entre o caminho seguro e a exploração abstracta. Sem qualquer tipo de sabor próprio, é um filme de fantasia pouco fantasioso e bastante esquecível.