MOTELX 2020 | Saint Maud – Um misto de religião e loucura

“Saint Maud” era um dos títulos mais aguardados da 14ª edição do MOTELX e isso fez-se notar, pois a sessão esgotou.

Esta produção da A24 trata-se da primeira longa-metragem da britânica Rose Glass que demonstra já dar um passo sólido no terror.

Acompanhamos uma enfermeira ao domicílio, Maud (Morfydd Clark), que cedo percebemos ser bastante peculiar. Ao contrário da maioria das jovens da sua idade, dedica a vida ao trabalho e vive como se tivesse uma missão superior, de nível transcendente. Tudo isto, porque se tornou numa verdadeira seguidora de Deus.

Maud trabalhava como enfermeira num hospital, mas devido a um incidente de trabalho, teve de adaptar-se a fazer o seu serviço ao domicilio. Quando aceita uma nova paciente paliativa (Jennifer Ehle), a jovem começa a fazer de tudo – inclusive o que não lhe compete – para tentar salvar a alma da mulher doente antes da hora da morte chegar.

No decorrer da longa vamos percebendo que os temas tratados apesar de implícitos são fundamentais. Fala-se da morte, da solidão, da doença mental e, sobretudo, de fanatismo religioso e o quão perigoso pode ser na sociedade.

Vemos a protagonista – que é entregue pela ótima representação da atriz Morfydd Clark- numa constante queda que se vai dando ao ritmo do apagar da chama de uma vela. O que ao principio nos parece uma jovem equilibrada e dedicada ao bem, rapidamente se torna num vazio enorme prestes a explodir a qualquer momento. A intensidade e o que pode ser considerado um transtorno de despersonalização/desrealização de Maud crescem à medida que a história avança.

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Saint Maud apela muito aos nossos sentidos e revela desde o começo ser uma obra que sabe criar suspense. Entrega a pouco e pouco as informações necessárias e chega a um ápice de total loucura, no bom sentido como é óbvio. Além disso, não tem medo de arriscar e de juntar conceitos, nomeadamente de religião e loucura – deixa o público com várias ideias para debater.

A pouco tempo do fim do MOTELX, posso dizer que até agora foi a longa-metragem que mais gostei. O último plano desta obra provocativa é, sem dúvida, marcante e demonstra um claro toque de ironia capaz de gerar sorrisos naqueles que entenderam a mensagem.

Abaixo, uma galeria de três belos posters de “Saint Maud”: