Mais conhecido pelo papel de Spock na nova trilogia de “Star Trek”, Zachary Quinto veio a Portugal apresentar a adaptação televisiva da AMC de “NOS4A2”

O Cinema Pla’net, agradece ao CANAL AMC pela possibilidade de ter estado à conversa com o ator, que fez uma visita a Portugal para nos falar sobre “NOS4A2”.

nos4a2

Trouxe para esta personagem algo que aprendeu com personagens anteriores ou foi uma página em branco?

Penso que cada personagem que interpretamos é influenciada pelas que já interpretámos. Enquanto atores acho que faz parte do processo e a experiência é cumulativa, tanto a nível criativo como profissionalmente. Não construí de forma consciente esta personagem em torno de outras que já interpretei, mas o facto de ter interpretado vários arquétipos de vilão ao longo da minha carreira serviu de ponto de partida e acho que não teria sido o caso se não tivesse interpretado esses papéis anteriormente.

Gosto de interpretar personagens dinâmicas e complexas. Procuro papéis de vilões como qualquer outro papel. Ao mesmo tempo que gosto de explorar território, também é importante regressar às origens e àquilo que as pessoas também gostam de me ver interpretar.

No entanto, o Charlie não se vê como um vilão, acredita que está a agir no melhor interesse das crianças e é o que o torna tão interessante. Ele age de acordo com o seu próprio trauma de negligência e abuso parental e acredita genuinamente que está a oferecer a estas crianças uma vida melhor que aquela a que estavam a ser sujeitos pelos pais. Claro que é um vilão, claro que é mau, mas é maluco e interessante.

Para além de que é um desvio do arquétipo do vampiro. O Charlie Manx é uma extensão do carro e vice-versa, estão interligados e são manifestações um do outro. É interessante esses temas seguirem a linhagem do Stephen King [“Christine”, “From a Buick 8″…], com o Joe Hill a prolongar o legado do pai, ao mesmo tempo que é dono da sua voz e do seu talento e respeito muito isso.

nos4a2.

A dinâmica entre os atores e a preparação para o papel:

Passei muito tempo com o Ólafur Darri Ólafsson na parte da frente daquele Buick e nunca nos fartámos um do outro, foi muito divertido de o ver, acho que o Bing Partridge pode tornar-se uma personagem favorita dos fãs. É um homem grande que usa o seu tamanho e força com muito talento, ao mesmo tempo que é muito recatado. Sinto que isso criará uma ligação forte com os espectadores.

A Ashley Cummings é maravilhosa e nesta série tem um dos seus primeiros grandes papéis, portanto, considero-a como uma atriz a ter debaixo de olho no futuro, tem um grande potencial e é bom fazer parte do início da jornada de alguém.

Houve muita preparação física. Para o design da personagem tivemos a sorte de conseguir o Joel Harlow, que já foi galardoado com um Óscar pelo seu trabalho de caracterização e com quem já tive o prazer de trabalhar anteriormente [venceu o Óscar com “Star Trek” e foi nomeado por “O Mascarilha” e “Star Trek: Além do Universo”].

Trabalhámos juntos no design da personagem e enquanto ele preparava a caracterização, eu trabalhava a ligação entre a parte física e psíquica, por causa das diferentes idades (40, 65, 85, 105 e 135 anos). Também tive de escolher um padrão vocal para a personagem ao longo do seu envelhecimento.

star trek 1

Entre Spock e Charlie Manx, qual apresentou um maior desafio?

Com o Spock há uma expectativa, porque as pessoas já viram o Leonard Nimoy incorporá-lo. Com Charlie Manx o grande desafio foi interpretar uma personagem tão longe de quem eu sou na vida real, as diferentes idades por que atravessa e ter a certeza de que estou a honrar o livro e a imaginação retorcida do Joe Hill. Mas obviamente que acho que toda a jornada para me tornar o Spock foi claramente o maior desafio que já tive na minha carreira, por causa de tudo o que já vinha de trás, todas as expectativas e receios.

Neste caso o “NOS4A2” é uma série original, é algo que estamos a partilhar com as pessoas pela primeira vez e claro que tira um pouco a pressão mas a minha preocupação era mesmo de honrar a personagem e o livro e ter a certeza de que estou a trazer vida àquela figura literária numa maneira que reflete as origens da história que quer contar.

session 9

As escolhas de Zachary Quinto no género de terror…

Gosto de bons filmes. Não interessa o género, desde que sejam bons. Mas no terror há um pequeno filme de Brad Anderson, “A 9ª Sessão” que é muito assustador e bem feito e ficou-me marcado, deve ser o meu favorito. Mas claro que há outros que também gostei muito, o “Poltergeist” meteu-me mesmo muito medo em criança, mais recentemente “The Haunting of Hill House” estava muito bem feito e era assustador à sua maneira, tal como “Hereditário”, um filme com resultados completamente inesperados.

the boys in the band

Que projetos está a desenvolver neste momento?

Antes de uma segunda temporada da série, vou começar um filme, “The Boys in the Band”, a adaptação de uma peça da Broadway em que participei no verão passado [de Joe Mantello, com Matt Bomer e Jim Parsons, sobre um grupo de amigos homossexuais que descobre as falhas na sua amizade ao longo da noite de aniversário de um deles]. Estamos a fazê-lo para a Netflix e começamos a gravar em Julho.

Enquanto ator acho que estou pronto para histórias mais assentes na realidade, depois de tantos papéis mais fantasiosos. Não é como se tivesse um plano, mas é o que sinto neste momento. Acho que é a oportunidade de partir para outras maneiras de contar histórias.

Adoraria realizar mas tenho de encontrar a história certa. Ainda estou a tentar encontrar o caminho para o que quero, quer seja uma curta, uma longa-metragem, um episódio de uma série. A minha casa de produção aposta em histórias inteligentes de realizadores no seu primeiro projeto.

A 29 de Julho a AMC Portugal transmite os dois últimos episódios da primeira temporada de “NOS4A2”, cuja segunda temporada foi confirmada pelos produtores da série durante a San Diego Comic Con.

 

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